O que torna uma oração poderosa, e não é o que a maioria pensa

Se existisse uma fórmula para tornar uma oração poderosa, Paulo teria descoberto. Ele orou com fervor, com jejum, com imposição de mãos. Plantou igrejas, realizou milagres, escreveu metade do Novo Testamento. E ainda assim foi preso, açoitado, naufragado e decapitado. Elias, que Tiago usa como exemplo de oração poderosa, chegou a um ponto tão baixo depois de suas orações serem respondidas que pediu para morrer.

Isso não significa que oração poderosa não existe. Significa que o que a torna poderosa raramente é o que as pessoas buscam quando pesquisam o assunto.

O que Tiago realmente disse sobre oração poderosa

A frase mais citada sobre oração poderosa na Bíblia está em Tiago 5:

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
— Tiago 5:16

A palavra traduzida como “eficácia” no original grego é energoumene, da mesma raiz de “energia”. Literalmente, uma oração que está em ação, que opera. Mas o sujeito não é a oração. É “a súplica do justo.” A eficácia está ligada a quem ora, não à técnica de orar.

O exemplo que Tiago usa é Elias. E a forma como ele apresenta esse exemplo é reveladora: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos.” Tiago não começa dizendo que Elias era um profeta especial com poderes únicos. Diz que era gente como a gente. A diferença não estava na categoria espiritual. Estava na oração que fez.

A oração que Jesus fez no momento mais difícil

Em Lucas 22, Jesus estava no Getsêmani. O suor caía como gotas de sangue. E a oração que ele fez naquele momento diz algo sobre o que torna uma oração poderosa que contradiz o que a maioria espera:

“Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.”
— Lucas 22:42

Jesus pediu que o cálice fosse afastado. Não foi. Ele foi crucificado no dia seguinte. Por qualquer métrica superficial, essa oração “não funcionou”. E ainda assim é provavelmente a oração mais poderosa registrada em toda a Bíblia, porque dela saiu a redenção da humanidade.

O que torna a oração do Getsêmani poderosa não é que o pedido foi atendido nos termos de quem pediu. É que a oração estava alinhada com um propósito maior do que quem orava conseguia enxergar naquele momento.

O que a oração de Daniel tem que a maioria das orações não tem

Daniel 9 registra uma das orações mais longas e estruturadas da Bíblia. Daniel soube, lendo Jeremias, que o exílio estava chegando ao fim. Poderia ter orado um agradecimento e pronto. Em vez disso, fez algo que a maioria não faz:

“Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, vestido de pano de saco e sentado na cinza.”
— Daniel 9:3

E a oração começa com confissão: “nós temos pecado e cometido iniquidades.” Daniel era um dos homens mais íntegros do Antigo Testamento. Os inimigos dele procuraram algo contra ele e não acharam nada. E ainda assim ele começou a oração confessando pecado coletivamente, incluindo a si mesmo no erro do povo.

A oração poderosa de Daniel não começa com pedido. Começa com postura. E a postura é de humildade diante de um Deus justo, não de alguém exigindo o cumprimento de uma promessa.

Por que Jesus disse que a oração no secreto é mais poderosa

Mateus 6:6 tem uma promessa direta:

“Mas, ao orar, entre no seu quarto e, fechada a porta, ore ao seu Pai, que está em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.”
— Mateus 6:6

A oração no secreto não é mais poderosa por causa do local. É mais poderosa porque elimina a possibilidade de que a oração seja para outra pessoa. Quando não há ninguém para ouvir, a oração só pode ser para Deus. Isso muda tudo na motivação de quem ora.

A oração pública não está proibida. Jesus orou publicamente várias vezes. O problema que ele identifica não é o local: é o motivo. A oração para ser vista já recebeu sua recompensa: a admiração das pessoas. A oração no secreto ainda aguarda a recompensa de quem realmente ouve.

O que João 15:7 diz que muda a expectativa sobre resposta

“Se permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será feito.”
— João 15:7

Essa promessa é frequentemente usada fora do contexto. “Pedirão o que quiserem” parece uma carta em branco. Mas o condicional é fundamental: “se permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês.” Quem permanece em Cristo e tem as palavras de Cristo habitando nele vai querer coisas diferentes de quem não permanece. O desejo se transforma antes de o pedido ser feito.

E 1 João 5:14 complementa com outra condição: “se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.” Oração poderosa não é a que força Deus a fazer o que eu quero. É a que se alinha com o que Deus quer. E nesse alinhamento, as respostas vêm.

O que Paulo aprendeu sobre oração depois de não ser curado

Paulo pediu três vezes para ser curado de algo que o incomodava profundamente. A resposta foi não. E o que Deus disse no lugar da cura foi:

“A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
— 2 Coríntios 12:9

Paulo chegou a uma conclusão que poucos chegam: que a oração mais poderosa que ele já fez pode ter sido aquela que não foi respondida nos seus termos, porque a resposta que veio foi a presença de Deus sustentando na fraqueza. Algo que a cura imediata teria impedido de experimentar.

Oração poderosa não é a que levanta o louvor mais alto, nem a que usa as palavras certas, nem a que persiste por mais tempo. É a que nasce de um relacionamento real, se dobra diante da soberania de Deus e confia que, mesmo quando a resposta é diferente do pedido, o Pai que ouve em secreto sabe o que está fazendo.

Se quiser continuar lendo sobre como a Bíblia aborda a prática da oração, leia o artigo Como orar segundo a Bíblia e também sobre os salmos de proteção aqui no Bíblia Online Fiel.

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